segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Capítulo 10

Zachary não acreditou. O apartamento e a floricultura estavam sempre impecáveis.
Quando subiu a escada, encontrou a sala na mais perfeita ordem. O mesmo acontecia na cozinha e no banheiro. Mas o quarto parecia ter sido visitado por um furacão. Havia roupas espalhadas por toda parte. A cama ainda não estava feita. As gavetas estavam abertas. Uma delas deixava ver um sutiã pendurado.
Vanessa estava mais nervosa do que imaginara. Talvez tivesse sido precipitado em atirá-la ao covil dos leões. Seus pais eram cordiais com pessoas de seu nível social. Mas uma jovem ingênua como Vanessa...?
Afastou o pensamento. Ele a protegeria, se houvesse necessidade. Além disso, seria por pouco tempo.
A consciência acusou-o. Aquilo não era um jogo. Ele estava tentando manipular a vida de uma pessoa. Se Vanessa soubesse sobre suas verdadeiras intenções...
Não estava acostumado a desistir de uma ideia quando se dispunha a obter algo. Vinha planejando a destruição de Greg Hudgens havia anos. Por causa dele, nunca tivera uma noite tranquila.
Estava em paz consigo mesmo. Seria um acerto de contas. Greg Hudgens teria apenas o que merecia. Nada mais. E o dinheiro que Vanessa ganharia a compensaria de qualquer dissabor.
Ele estava voltando para a sala quando algo lhe chamou a atenção. A caixa de charutos estava aberta.
— Era só isso que pretendia comprar? — Zachary perguntou algumas horas depois, quando Vanessa se encaminhou para a saída da loja. — Um blazer e sandálias?
— Sim.
Zachary vira o modo como Vanessa olhara para um vestido longo em vários tons de verde, para um colar de jade e para uma fivela de cabelo. Sentira um impulso quase irresistível de comprá-los.
Conhecia a situação financeira de Vanessa. Sabia exatamente quanto ela ganhava. Não era o bastante para pequenos luxos.
— Costuma fazer uma lista quando vai ao supermercado? — Zachary perguntou.
— Costumo. Você não?
— Não faço compras.
— Nunca?
— Não em supermercados. Moro na cobertura de um hotel em Silicon Valley, perto de meu escritório. Nunca usei a cozinha a não ser para lavar pratos, copos e talheres, quando resolvo pedir comida oriental ou pizza.
Vanessa não parecia ter escutado. Seu olhar estava distante.
— Eu nunca teria adivinhado. Sempre o imaginei vivendo em uma mansão, com empregados e jardineiros a sua disposição.
— Não seria prático, não acha? Em um hotel, eles cuidam da limpeza, de minha roupa e de minha alimentação.
— Ou seja, você prefere levar uma vida simples e prática.
— Bem, minha definição de simplicidade pode ser diferente da sua. Trabalho muito. Quase só vivo para meu trabalho. Esta semana foi como umas férias para mim, embora também tenha trabalhado.
— Se não gostasse de meu emprego, eu me demitiria — Vanessa murmurou.
— Não é tão fácil para mim.
— Mas não é impossível, é?
Vanessa esperou que Zachary refletisse sobre a pergunta. Ele pareceu se esquecer de que estavam no carro e de que o motor estava ligado. Ela esperou um minuto e tocou-o no braço. Zachary quase deu um pulo.
— Você estava em órbita. Acontece sempre quando se concentra?
Zachary manobrou o carro para fora do estacionamento.
— Se está à procura de alguém que esteja sempre atento, não sou desse tipo.
A defesa foi ríspida. A impressão de Vanessa foi a de que Zachary já havia sido acusado de displicência antes.
— Admiro sua capacidade de concentração — elogiou-o. — Não sou assim. Quero resolver tudo ao mesmo tempo. Tenho certeza de que acabará desistindo de me dar aulas quando perceber isso.
— Ainda não me cansei.
— Ainda bem — Vanessa respondeu. — Mas não o culparei, se resolver desistir.
Ela procuraria aprender qualquer coisa que ele quisesse lhe ensinar. Até mesmo caça submarina no Lago Superior, apesar de mal saber nadar e de sentir medo daquelas águas escuras e geladas.
— De que está rindo? — Zachary quis saber.
— Não sei qual foi a força superior que o colocou em meu caminho, mas agradeço a ela. Entreguei-me à tristeza por demasiado tempo. Minha mãe não aprovaria meu isolamento. — Vanessa inclinou-se e beijou-o no rosto. — Obrigada.
— Gostaria de ter conhecido sua mãe.
— Ela era maravilhosa. Foi casada com um homem que não a merecia. Quando eu nasci, eles haviam acabado de se divorciar. Ela voltou a usar seu nome de solteira e mudou de cidade para evitar que ele a procurasse.
— Agora sei de onde você herdou a coragem.
— Minha mãe era forte e determinada. Sempre tive orgulho dela. Fomos mais do que mãe e filha. Fomos grandes amigas.
— Ela não tornou a se casar?
— Não, gostou de alguns homens mas teve poucos relacionamentos.
Vanessa julgava-se filha do ex-marido de sua mãe. Por que Gina nunca contara a verdade à filha?
Zachary apertou o volante. Greg devia ter comprado seu silêncio. Vanessa notou o cenho crispado de Zachary e mudou de assunto.
— Estou ansiosa com a viagem. Acha que seus pais acreditarão em nossa história?
— Por que não?
— Bem, nós não nos comportamos como dois namorados.
— Meus pais não esperariam que eu me apresentasse aos beijos e abraços com uma mulher diante deles. Demonstrações de afeto devem ser reservadas a momentos de privacidade.
Vanessa não respondeu. Era uma pena. Ela não se importaria de treinar um pouco aquela noite para se apresentar aos pais de Zachary de maneira convincente.
— Apenas seja você mesma — Zachary recomendou quando parou o carro diante da floricultura. — Ninguém resistirá a seus encantos.
Zachary não poderia imaginar que havia acabado de satisfazer dois de seus desejos. Assim que chegasse em casa, colocaria uma estrela à velinha de seu décimo-nono aniversário. Zachary dissera que era linda e a levaria consigo em uma viagem. Esse fora seu pedido no décimo aniversário.
Preparou-se para descer do carro.
— Obrigada pelo jantar e por me acompanhar às compras.
— Foi um prazer. Acha que estará pronta às seis e trinta?
— Sim. Foi a hora que marquei com Austin.
— Passarei para buscá-la às sete e tomaremos café juntos a caminho do aeroporto. Estaremos voando contra o fuso horário.
Vanessa apanhou a bolsa e olhou mais uma vez para Zachary.
— Por mais que eu lhe agradeça, não será o suficiente. Não pode imaginar o que significa para mim essa aventura.
Os olhos de Vanessa pareciam pedir um beijo de boa-noite. Ele resistiu. Sexo não fazia parte de seu plano. Precisava zelar pelos interesses daquela jovem, protegê-la, não seduzi-la.
— Não passe a noite em claro, Vanessa. Procure descansar. Dará tudo certo.
— Não quer subir?
— Hoje não. Preciso terminar um projeto.
— Então, até amanhã.
Zachary esperou que Vanessa entrasse. Dirigiu-se em seguida a uma pequena casa em uma rua arborizada, não muito distante. Pegou um envelope no porta-luvas e desceu do carro.
— Boa noite, Sr. Efron — cumprimentou o homem de cabelos grisalhos que abriu a porta.
— Boa noite, Sr. Swensen. Posso entrar?
Kevin Swensen afastou-se para que Zachary entrasse, mas não permitiu que ele avançasse para a sala.
— Chegou a uma conclusão?
Zachary entregou o envelope.
— Já verifiquei tudo.
O homem retirou um livro contábil de dentro do envelope e examinou o valor estabelecido.
— É mais do que combinamos.
— Sim.
O homem olhou para Zachary com desconfiança por um instante.
— E se decidir não fazer nada a respeito?
— Isso não acontecerá.
— E se por acaso sofrer um acidente e morrer?
— O dinheiro será seu de qualquer forma — Zachary garantiu e fez menção de se retirar.
Kevin Swensen o deteve.
— Você não é como seu pai.
Zachary apertou os punhos.
— Sorte a sua.
Aquela não fora uma visita de cortesia. Precisava de provas sobre a paternidade de Vanessa. Kevin Swensen as fornecerá.
Quando voltou para o hotel, ligou o computador e verificou se havia mensagens, mas só leu a que Vanessa lhe deixara. Ela queria saber se não haveria chance de eles ao menos ficarem de mãos dadas diante de seus pais.
Zachary sentiu um sorriso lhe aflorar aos lábios. Vanessa era incrível.
O telefone tocou naquele instante. Quando desligou, ele tornou a sorrir. A Knight Star Systems havia perdido a concorrência ao que teria sido um dos maiores negócios de sua história. Greg deveria estar alucinado. Logo, todos saberiam que ele não era o empresário perfeito que se considerava.


Oiiiiiiii
Aqui está mais um capítulo!!
O Zac ta a cada capítulo com mais mistérios hein!?
Espero que os pais do Zac gostem da Nessa ne!?
Tadinha da Nessa.... Deve ter ficado #chatiada ao saber que nao precisaria dar beijos no Zac na frente dos pais dele
para convencê-los que sao realmente namorados....
Mas essa viajem promete hein!?
Comentem bastante e até quarta-feira 
Beijoooos 😘😘
Ah fiquem de olho la na outra fic...
Vai que daqui a pouco nao tem capítulo novo la tb!? 😏

Um comentário:

  1. Aaaa eu não acredito que nãovai ter beijo
    Quero muito Zanessa juntos
    Posta mais amor
    Xoxo

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