quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Capítulo 12

— Encontrou tudo a seu gosto, querido?
— Sim, é claro.
— E sua... amiga? — Zachary percebeu que ela baixou a voz. — Ela está confortável?
— Creio que sim. Mesmo que não estivesse, tenho certeza de que não faria queixas.
— Ela é uma menina adorável.
A ênfase na palavra menina não passou despercebida.
— Sim.
— Vocês se conheceram em Minneapolis? Como aconteceu?
— Ela foi uma das organizadoras de um baile beneficente do qual participei. — Não era exatamente a verdade, mas sua mãe não precisava saber dos detalhes.
— Eu diria que você ficou por lá mais do que seria o necessário.
— O que está querendo saber exatamente? Pode me dizer?
— Não acha que uma mãe tem o direito de ficar curiosa quando o filho traz uma garota para os pais conhecerem? Você nunca trouxe ninguém para pernoitar aqui antes. Afinal, mora cerca de vinte minutos de distância!
— Queria que vocês se conhecessem e passassem algum tempo juntas.
A tensão impregnou o ambiente.
— Não me diga que está pensando em se casar com essa menina!
— Menina? — Zachary pensou na sensualidade de Dulce, em seu perfume. Ela era mulher. Uma mulher fascinante.
— Você entendeu muito bem o que eu quis dizer — a mãe protestou. — Ela não serve.
— Não serve para quê?
— Não estou brincando! Ela não seria uma boa esposa para um homem com sua posição social.
— Espero que a trate com respeito, mãe. Ela é uma boa moça e está atravessando uma fase muito difícil. Perdeu a mãe há poucos meses. Convidei-a para vir conhecer a Califórnia de modo que pudesse se distrair.
— Está me dizendo que não pretende se casar com ela?
— Estou dizendo que quero que ela se sinta bem-vinda aqui. Assim como você, Vanessa adora flores. Não lhes faltará assunto.
David Efron entrou no quarto.
— Vamos nos atrasar, querida.
Starla Efron foi ao encontro do marido.
Assim que os pais saíram, Zachary consultou seu relógio de pulso. Não teriam muito tempo. Apanhou a chave do carro e bateu à porta do quarto de Vanessa.
Ela havia escovado os cabelos e passado batom. Sentiu-se aliviado. Vanessa não havia tentado escutar a conversa.
— Aonde iremos?
— Quero que seu primeiro passeio seja uma praia. Hoje você verá uma pequena parte do Oceano Pacífico.
Vanessa sorriu e se atirou nos braços dele.
— Mais um de meus desejos foi satisfeito! Mal consigo acreditar!
***
— É a segunda vez que isso acontece comigo. Sinto-me péssima. Da outra vez, minha mãe estava me esperando na porta, de braços cruzados. Fiquei de castigo por duas semanas.
— Você se atrasou muito?
— Uma hora, mas foi por uma boa razão.
Zachary sorriu. Seria capaz de apostar que Vanessa havia usado o mesmo tom de voz ao protestar com a mãe. Ele não se lembrava de ter ficado de castigo algum dia. Provavelmente porque não tinha tempo para sair com amigos ou praticar esportes ou ir a um acampamento.
— Que boa razão era essa?
— Nós pegamos no sono.
— Onde?
— No carro dele.
— Onde?
— No lago. Mas não fizemos nada! Ou quase nada. E você? Já foi pego em flagrante alguma vez?
— Nunca namorei dentro de um carro.
— Nunca?
Ele ficou surpreso com a surpresa de Vanessa.
— Não sabe o que perdeu. É divertido namorar no carro. É excitante porque é perigoso. Os policiais conhecem os pontos procurados pelos jovens e gostam de acender suas lanternas nos rostos deles para assustá-los.
— Gostaria de ter sido eu que estava no carro com você aquela noite.
— Eu também. Você teria ajustado seu relógio para despertar de modo a não nos atrasarmos.
Os dois riram. Fazia muito tempo que Zachary não se sentia tão descontraído.
Chegaram à mansão.                              
— Acha que seus pais ficaram nos esperando durante esses quinze minutos? — Vanessa perguntou.
— Provavelmente.
Vanessa balançou a cabeça.
— Dei mais uma razão para sua mãe não gostar de mim. Além de estarmos atrasados, sujaremos a casa com nossos pés cheios de areia. O que implicará em um atraso ainda maior.
— Teríamos de trocar de roupa de qualquer jeito. O uso de shorts não é permitido à mesa. Você não teve culpa. Fui eu que não tive coragem de deixar Half Moon Bay tão depressa.
Vanessa insistira que ele obedecesse a uma série de regras. Em primeiro lugar, proibiu assuntos sérios, em especial os ligados ao trabalho. Computação também foi uma palavra proibida por toda a manhã. A ordem do dia era se divertir.
E olhar o rosto de Vanessa quando ela viu o mar pela primeira vez compensava qualquer contratempo que pudesse vir a ter com a mãe.
— Há algum chuveiro do lado de fora da casa? — Vanessa quis saber. — Ou uma entrada pelos fundos que nos leve ao quarto sem sermos vistos?
A resposta seria sim às duas perguntas, mas Zachary queria que os pais os vissem daquele jeito: sujos de areia, despenteados pelo vento, corados. Queria que eles o ouvissem rir, e que apreciassem o som como acontecera com ele nos últimos dias. Queria ouvir os pais rirem também. E se existia alguém capaz disso era Vanessa, embora ela estivesse mordendo o lábio naquele instante.
— Não fique preocupada.
— Queria que sua mãe gostasse de mim.
— Eu sei. — Ele deu a volta ao carro para ajudá-la a descer. Estava arrependido por tê-la trazido a sua casa. Se a tivesse levado para seu hotel, teriam mais liberdade. O tempo na praia, em especial, não teria sido tão curto. Adorara ver a expressão radiante de Vanessa enquanto sentia a areia, deslizar por seus dedos e minúsculos peixes beijarem seus tornozelos. Seus cabelos, à luz do sol, pareciam puro fogo.
Zachary jurou consigo mesmo que a levaria novamente à praia à primeira oportunidade.
— Bom dia, Alfred — Vanessa saudou o mordomo que lhes abriu a porta.
— Bom dia, senhorita.
— Não tira folga aos domingos?
— Sim.
— Mas está trabalhando hoje?
— Porque não quis me ausentar durante a visita do Sr. Efron.
Contrariado porque os pais não estavam por perto e não o veriam chegar com Vanessa, Zachary estava se afastando pelo corredor. Mas deteve-se ao ouvir a inesperada declaração.
— Obrigado, Alfred. Muito obrigado.
— Avisarei sua mãe que já chegaram.
— É melhor nos dar quinze minutos.
— Sim, senhor.
Vanessa observou a expressão de Zachary durante a rápida conversa. Ele havia ficado satisfeito com as palavras do mordomo. Isso a comoveu. Zachary era um homem carente de atenção, apesar de todo seu dinheiro. E o fato de ele não demonstrar o que sentia, era compreensível. Não havia sido acostumado a tocar nem a ser tocado. Ninguém o cercara de mimos e carinhos quando criança.
— Aposto que chegarei ao quarto antes do que você — Vanessa o desafiou ao pé da escada.
Não esperava que Zachary fosse aceitar o desafio de imediato. Ele disparou. Como subiu os degraus de três em três, já estava diante da porta do quarto quando ela chegou ao topo da escada.
— Não valeu! — Vanessa protestou.
— Você não sabe perder — ele se defendeu. — Tente ganhar de mim novamente na troca de roupa.
Vanessa balançou a cabeça e sorriu. Estava gostando muito dessa nova versão de Zachary.
***
— A senhora deve passar grande parte de seu tempo aqui — Vanessa disse a Starla, mais tarde, enquanto passeavam pelo jardim.
— Quase todas as manhãs — Starla respondeu. — Adoro minhas flores. Você também deve amá-las, sendo uma florista.
— Oh, sim, mas eu as compro de um atacadista para vender. Não é o mesmo que cultivar o próprio jardim — Eu gostaria muito de ter um algum dia.
— Como resolveu ter uma floricultura sendo tão jovem?
— Minha mãe a comprou quando eu ainda era bebê. Eu cresci nesse ambiente. É tudo o que sei fazer.
— Meu filho me contou que sua mãe faleceu recentemente. Por favor, aceite meus pêsames.
— Obrigada.
Vanessa era do tipo que conversava com facilidade com as pessoas, mas tinha receio de dizer algo que não devia e envergonhar Zachary, e por isso falava pouco.
— Eu também perdi minha mãe muito cedo. Senti falta de seu apoio. Cometi erros.
— Que erros? — Vanessa perguntou para se arrepender em seguida. — Oh, perdoe-me. Eu não deveria ter perguntado.
— Está tudo bem, minha cara. Vamos nos sentar? — Starla a conduziu a um banco de pedra, cercado de rosas perfumadas. — Eu me sentia muito só quando jovem. Casei-me com o homem errado pensando que me livraria dessa solidão.
— O pai de Zachary?
— Sim.
— Zachary nunca fala sobre ele. Sei apenas que ele morreu.
— Não creio que Zachary se lembre bem dele. Era muito pequeno quando o perdeu. David foi mais pai para ele do que o verdadeiro.
— Zachary fala de seu marido com respeito.
— David é o grande responsável pela carreira de Zachary e por seu sucesso. Deu-lhe um bom exemplo. Eu não deveria ter tido tanta pressa em me casar. David e eu fomos feitos um para o outro.
— Mas Zachary não teria nascido.
A expressão de Starla Efron tornou-se mais suave.
— Você está certa. Zachary é tudo para mim. Tudo. Ele ainda tem muito a realizar.
E você não está incluída em meus planos para o futuro de meu filho. Embora as palavras não fossem pronunciadas, Vanessa as ouviu em sua mente.
— A senhora está preocupada que ele queira se casar comigo?
A mulher mostrou-se genuinamente surpresa com a pergunta.
— Oh, não. Zachary sempre disse que não pretende se casar. O que ele sente por você deve ser pena por causa do falecimento recente de sua mãe.
Talvez Starla estivesse certa em parte sobre Zachary sentir pena dela. Mas tinha certeza de que não era apenas isso. A mãe dele deveria tê-lo visto correndo pela praia. Zachary era muito mais digno de pena do que ela.
— Você é jovem. Tem a vida inteira pela frente. Sua angústia se apagará com o tempo. Um dia conhecerá um bom rapaz que lhe comprará uma casa com um jardim.
— E que me dará filhos. Quero ter quatro — Vanessa contou. Se a Sra. Efron pensava que aquela conversa a deixaria triste, estava enganada.
— Quatro? Que coragem!
— Não gostei de ter sido filha única. Quero que meus filhos possam contar um com o outro nas horas difíceis e que possam se divertir juntos nas horas alegres.
Starla não defendeu sua posição de ser mãe de apenas um filho. Em vez disso, levantou-se e olhou em direção à casa.
— Os homens ficarão trancados no escritório por horas. Há algo que gostaria de fazer?


Oiiii... Como prometi volteiii...
Gente tanto nessa fic quanto em Orgulho e lealdade (se você ainda nao leu o segundo capítulo de hj la corra la depois e leia tb ta demais) a Vanessa sofre.... Credo!
A mãe do Zac foi muito dura... So pq ela nao é do mesmo meio que eles!? Espero que ela mude de ideia em relaçao a Vanessa...
Beijoos 😘
E até qlqr hora....


Um comentário:

  1. A Vanessa é incrível!Aposto que vai dobrar os pais dele ,apesar de a mãe dele ter sido tão dura e direta ela não se abalou ,aparentemente

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