sábado, 14 de janeiro de 2017

Capítulo 13

— Você estará presente à reunião de diretoria na próxima semana? — quis saber David.
— Sim, estarei lá — Zachary respondeu enquanto se encaminhava para a janela. Viu Vanessa seguindo para a piscina. Estava usando um maio lilás que moldava suas formas com perfeição.
Ela colocou a toalha sobre uma espreguiçadeira e se sentou à beira da piscina. Pulou para dentro em seguida.
— As pessoas andam comentando sobre seu afastamento nos últimos dias.
— Não tiro férias há quinze anos. As pessoas deveriam pensar duas vezes antes de tecer qualquer comentário a meu respeito.
— Eu não me preocupo com o que os outros pensam filho, mas em que você está empregando seu tempo.
— Eu nasci em Minneapolis. Estava curioso.
— Eu também nasci lá. Se quiser me fazer alguma pergunta...
— Obrigado, mas prefiro procurar eu mesmo as respostas. — Vanessa parecia esquecida do mundo. Zachary percebeu que o padrasto estava se aproximando. Como não queria que ele visse Vanessa brincando, afastou-se rapidamente da janela.
Gostaria que sua vida fosse como a de Vanessa. Simples. Estava cansado de ser governado pelo relógio, pelas responsabilidades, pelos deveres sociais e familiares.
Eu gostaria de ter algo que fosse só meu.
Tinha noção de que David continuava falando, mas não conseguia ouvi-lo. Estava em meio a uma crise existencial. E essa crise não seria superada a menos que ele vingasse seu pai verdadeiro e Vanessa.
De repente, sem se importar com seu comportamento rude, decidiu colocar um fim à conversa.
— Se me der licença, preciso fazer companhia a Vanessa. Ela é minha convidada, afinal de contas.
Zachary subiu correndo para o quarto, vestiu uma sunga e foi ao encontro de Vanessa.
Ela estava deitada na borda da piscina, com os pés dentro da água. Sorriu ao vê-lo.
— Chega de trabalho por hoje?
— Sim. — Ele se sentou ao lado dela. Sentia que estavam sendo observados. Por quem? Pela mãe ou por David? Talvez por ambos?
— Como foi seu passeio pelo jardim com minha mãe?
— Bem.
Zachary esperava que Vanessa dissesse mais, mas ela fechou os olhos e continuou a tomar seu banho de sol. Ele queria fazer o mesmo, mas não conseguiu. Ficou admirando o corpo de Vanessa. Viu os mamilos enrijecerem-se, como se tivessem percebido que eram alvo de atenção.
O desejo assaltou-o sem aviso. Para se controlar, entrou na piscina. Nadaria até expulsar de sua mente todos os pensamentos. Lembrou-se da cobrança do padrasto sobre suas responsabilidades. Era tratado como se fosse herdeiro de um trono.
O que seu padrasto e ninguém sabia era que ele queria reclamar o direito a outro trono. Para consegui-lo, iria a público para acusar de imoralidade um dos cidadãos mais respeitados da cidade.
Suas pernas e seus braços estavam doendo. Ignorou a dor. Parecia hipnotizado. Queria continuar nadando. Mas se chocou contra algo.
Duas mãos o imobilizaram pelos ombros.
— Pare.
Vanessa sentiu o corpo de Christopher se soltar até que os pés tocaram o fundo. O que dera em Zachary? Nunca havia conhecido ninguém mais complicado. O que o padrasto teria dito para deixá-lo naquele estado?
— Sinto muito.
Ele foi até a borda e encostou-se.
— Não se desculpe. — Ela fitou-o. — Tem um corpo perfeito. Poderia ser modelo. Não precisa se esforçar tanto por queimar suas calorias.
Ao menos Vanessa conseguiu fazê-lo dar um sorriso.
— Estou falando sério. Você é bonito, tem ombros largos e um tórax incrível. Suas pernas são longas e musculosas. Além disso, você não é peludo.
Dessa vez, ele riu com desenvoltura.
— Fico contente que tenha notado.
— Notei tudo isso desde o instante que entrou em minha floricultura — Vanessa confessou.
— Eu também. Notei que você é linda desde o primeiro instante.
Foram interrompidos pela chegada do mordomo. Vanessa espantou-se porque não havia ouvido ruído algum, mas Zachary não pareceu surpreso.
— Sim, Alfred?
— Devo lembrá-lo, senhor, de que o jantar será servido às sete horas.
— Que horas são agora?
— Seis e cinco.
— Obrigado. Não nos atrasaremos.
Zachary fez menção de sair, e Alfred entregou-lhe a toalha.
— Ele piscou para mim — disse Vanessa enquanto subiam a escadinha.
— Alfred? — Zachary perguntou, atônito.
— Sim.
Zachary colocou uma toalha ao redor dos ombros de Vanessa.
— O que faremos esta noite? Tenho certeza de que não costuma jogar cartas com seus pais.
— Não. Alegaremos cansaço e pediremos licença para nos recolhermos.
— Eles não acreditarão — Vanessa murmurou. — No cansaço, quero dizer.
Zachary notou o constrangimento na voz de Vanessa.
— Você tem uma imaginação muito fértil.
— Apenas estou somando dois mais dois, como eles farão.
— Por que eles pensarão isso? Nós nem sequer nos beijamos.
— Sinta-se à vontade, caso queira corrigir o problema.
Zachary segurou-a pelo queixo e se inclinou lentamente.
Um pigarro o deteve. Ambos olharam para a casa ao mesmo tempo. Alfred estava indicando o relógio.
— Nosso anjo guardião — disse Vanessa.
— Nosso anjo mau — resmungou Zachary.
***
Vanessa se preparou para dormir e aplicou duas gotas de perfume. Esperou uma hora antes de se deitar até ter certeza de que Zachary não bateria a sua porta ou tentaria a maçaneta. Esperou por um beijo que não aconteceu. E que não aconteceria ao menos até a próxima visita de Zachary a Minneapolis.
Fechou os olhos. Estava cansada. Seria ótimo se adormecesse rapidamente. Partiria para sua cidade no dia seguinte. Sozinha. E estava quase conciliando no sono quando foi despertada por um leve estalido.
Não se moveu nem abriu os olhos. Não ouvia barulho, mas sabia que Zachary estava em seu quarto. Quase parou de respirar quando o sentiu junto à cama. Alguns instantes se passaram. De repente, ele ajeitou o lençol sobre seu corpo.
Incapaz de continuar fingindo, Vanessa abriu os olhos. O quarto estava iluminado pelo luar. Zachary estava usando apenas uma calça de pijama.
— Desculpe — ele murmurou. — Não queria acordá-la.
— Eu estava acordada.
Ele se sentou na beirada da cama, e ela o segurou pelo pulso.
— Não consegue dormir?
Zachary fez um movimento negativo com a cabeça.
Vanessa sentou-se ao lado dele. Não tinha motivos para continuar escondida sob o lençol. Sua camisola nada tinha de ousada.
— Nunca mais estive nesta casa a não ser para visitas rápidas desde que me mudei há cerca de dez anos. Esse silêncio me incomoda.
— A maioria das pessoas reclama do barulho. Engraçado como as opiniões divergem.
— O silêncio me deixa nervoso.
— Seus pais devem apreciá-lo. Parecem ser muito reservados.
— Eles sempre foram assim. Nada parece abalá-los. Nunca esbravejam. Nunca riem alto. Talvez tenha a ver com a casa. A atmosfera parece contagiosa.
— Por que diz isso?
— Você perdeu um pouco de seu brilho depois que entrou aqui.
— Bem, não posso dizer que me sinto completamente à vontade nesta casa, Zachary. Mas também não posso dizer que estou tensa. Para ser franca, acho que você está menos à vontade do que eu. Tudo que faz parece ter sido planejado, como se quisesse testar seus pais.
— Está tentando me dizer que devo procurar um terapeuta?
— Talvez. Você está estressado. Está em busca de algo. — De sua infância perdida, provavelmente, Vanessa pensou. — Tem sentido muita saudade de seu pai, não é?
— David me adotou quando se casou com minha mãe. Ele me encaminhou em minha profissão. Deu-me oportunidades que eu não teria de outro modo. Devo-lhe muito.
— Mas você se sente culpado porque não cultivou a memória de seu pai.
Zachary apoiou um ombro contra a parede e cruzou os braços.
— O que você sente por sua mãe é o que eu sentia por meu pai. Ele era o máximo. Bom, gentil, divertido e carinhoso. Sempre encontrava tempo para mim. Ele me levava para pescar, jogava bola comigo, colocava-me na cama na hora de dormir e me dava um beijo de boa-noite.
— Isso acabou quando sua mãe tornou a se casar.
— Sim. Tudo mudou. David tem sido bom para mim, mas seu temperamento é completamente diferente. Sinto-me grato a ele. Em dívida.
— Os pais não devem despertar esse tipo de sentimento nos filhos. Em minha opinião, o que mais deveria preocupá-los era fazer com que seus filhos se sentissem amados.
Zachary se levantou e andou pelo quarto. Voltou para junto da cama e tornou a se sentar.
— Não sei o que fazer com você. É sempre tão segura?
— Não, mas sou uma pessoa simples e minhas necessidades são simples.
— Não acontece o mesmo comigo.
— Sei disso. Algo está corroendo-o por dentro. — Ela se ajoelhou aos pés de Zachary. Queria abraçá-lo e confortá-lo, mas não tomaria a iniciativa.
E não foi necessário. Um instante depois, talvez devido à força de seu olhar, Zachary disse seu nome e beijou-a.
Ela já havia sido beijada antes, mas não daquele modo. Zachary abraçou-a e a trouxe para junto de seu peito ao mesmo tempo que sugava seus lábios e explorava o interior de sua boca como se nunca mais fossem se separar.
Vanessa se entregou à magia daquele beijo. Sabia que seria assim desde o instante que Zachary entrara em sua loja. Não poderia ter sido uma coincidência. Tinha a ver com destino.
Zachary deitou-a e cobriu-a com seu corpo, sem parar de beijá-la. Estava arfante, quente e faminto. Ela sentiu a rigidez contra suas pernas. Zachary a desejava. E ela também o queria. Abraçou-o com as pernas e arqueou as costas para moldar-se a ele. Zachary afastou-se para fitá-la. Em seguida, tornou a se apossar de seus lábios, impedindo-a de falar, fazendo-a emitir sons de que não sabia ser capaz.
Deslizou as mãos pelas costas de Zachary. Os músculos estavam contraídos na tensão da volúpia. E ele continuava beijando-a nos lábios, no pescoço, nos ombros.
Não estava preparada para as sensações que se avolumavam em seu peito. Seria possível alguém se apaixonar tão depressa?
Ele rolou para o lado e a levou consigo. Fez com que deitasse a cabeça em seu peito e ficou lhe acariciando os cabelos enquanto aguardava que sua respiração voltasse ao normal. Havia tanta ternura naquele gesto que ela sentiu os olhos arderem.
— Nunca pensei que um beijo pudesse ser tão maravilhoso — Vanessa disse inesperadamente.
— E eu não imaginei que você fosse uma caixinha de surpresas — Zachary confessou. Se não tomasse um banho frio com urgência, não conseguiria levar adiante seu plano. Vanessa, a doce Vanessa, tinha fogo nas veias. — Terei de ir para o escritório amanhã. Se não se importar em acordar cedo, poderá ir comigo. Assim que eu cuidar dos assuntos mais importantes, proponho examinarmos alguns locais para a festa de aniversário de casamento.
Vanessa afastou-se e virou-se para o outro lado.
— Como pode ser assim?
Zachary percebeu o tom de acusação. Vanessa estava enganada se o julgara frio. Ele a queria. Estava sendo difícil manter o controle. Mas jamais seria capaz de lhe fazer amor na casa de seus pais.
Levantou-se, mais uma vez arrependido por não tê-la levado para seu hotel. Ao mesmo tempo, sentia-se aliviado por sua decisão. Afinal, conhecera Vanessa havia apenas cinco dias.
Antes de passar para o outro quarto, Zachary deteve-se.
— Quer que eu deixe a porta aberta?
— Não tenho medo de escuro — Vanessa respondeu, zangada. — E não costumo ter pesadelos. Não precisa se preocupar em vir até aqui no meio da noite para me confortar.
— Está bem. Deixarei a porta fechada.
— Não é justo — Vanessa murmurou.
— O quê?
— Você entra aqui, excita-me e vai embora sem mais nem menos!
— Fiquei tão excitado quanto você — Zachary explicou —, mas parar era a única atitude lógica.
— Acho que sim. Boa noite.
Zachary não conseguiu dormir. Permaneceu junto à janela por um longo tempo, pensando na cova que cavara para si mesmo. Planejara a destruição de Greg Hudgens sem medir as consequências. Agora Vanessa se encontrava no meio de seu caminho. Não podia saltar sobre ela nem contorná-la para atingir sua meta. Precisava prosseguir com ela a seu lado.
***
— Case-se comigo.
Um silêncio absoluto caiu sobre Vanessa e Zachary dentro do carro. Estavam no campo de pouso onde desembarcaram no dia anterior. Eram dezoito horas. Zachary havia cancelado o voo de Vanessa de volta para casa no meio da noite, no instante que tomara a decisão de lhe propor casamento.
— O que disse? — Vanessa pestanejou.
Zachary estava surpreso com sua calma. De repente tudo ficara claro em sua mente. Greg Hudgens tinha de pagar pelo que fizera. Isso não mudara. Mas quando ele fosse desmascarado, a vida de Vanessa viraria de cabeça para baixo. Ela sofreria muito quando soubesse que Greg era seu pai. A imprensa não lhe daria trégua. Esse seria seu papel. Protegê-la contra tudo e contra todos.
— Case-se comigo — Zachary repetiu. — Podemos fazer uma parada em Las Vegas a caminho de Minneapolis.
— Você não está falando sério, está?
— Nunca falei tão a sério. — Se fosse preciso, ele imploraria. Vanessa era sozinha no mundo e mal ganhava para seu sustento. Não era preciso haver amor para um casamento dar certo. Segurança e companheirismo eram dois bons motivos. Era o que ligava sua mãe a seu padrasto. E Vanessa sonhava com uma família.
— Nós nos sentimos bem juntos e estamos atraídos sexualmente. Mas não é apenas isso, Vanessa. Tenho certeza de que dará certo.
Ela custou a responder.
— Preciso de um tempo para pensar.
— Pense. Vou colocar sua bagagem no avião.
Zachary afastou-se sem olhar para trás. De quanto tempo ela disporia? Deveria ter perguntado a ele o motivo de sua proposta. Mas queria realmente saber?
Suspirou. Estava mais do que apaixonada por Zachary, mas seus sentimentos não eram correspondidos. A menos que ele a amasse e não tivesse coragem de se declarar. Zachary era um homem que não fora ensinado a extravasar suas emoções.
Mas não a teria pedido em casamento se não a amasse ao menos um pouco, teria?

Boa noiteeee...
Peraê Peraê Peraê a nessa tem que aceitar esse pedido inusitado de casamento do Zac... E o Zac tem que aprender a amar a Vanessa, por mais que a mae dele nao gostem disso eles tem que ficar juntos... E o Zac tem que desistir dessa vingaça...
Comentem aqui o que acharam...
Beijooos 😘
Até qlqr hora...

Um comentário:

  1. Pqp o que foi esse capítulo???
    Hot,hot 😱😱😱 amooo
    E é claro que a Nessa vai aceitar o pedido de casamento né???
    E tenho certeza que o Zac está gostando de verdade dela
    Quero mais amor e bem rápido
    Posta logo
    Xoxo

    ResponderExcluir