terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Capítulo 19

— Comecei a colecionar recordações aos cinco anos quando minha mãe me incentivou a escrever um pedido e colar o papel na velinha do bolo.
Diga a ela que não precisa lhe contar, que você sabe respeitar seus segredos, Zac ignorou as súplicas de sua consciência.
— No ano seguinte, se meu pedido havia sido realizado, eu desenhava uma estrela vermelha.
— Conseguiu muitas? — Zac quis saber.
— Até conhecê-lo, desenhei oito estrelas. Depois que conheci você, cinco estrelas foram acrescentadas.
A curiosidade de Zac aguçou-se com aquela declaração.
— Não vai me contar os detalhes?
— Só se você me der um beijo — Vanessa brincou.
Zac não hesitou. Abraçou-a pela cintura e lhe deu um beijo.
— Desejei ser beijada por alguém experiente no assunto quando fiz dezoito anos.
— O que mais? — Zac perguntou, muito satisfeito.
— Em meu décimo aniversário, desejei uma viagem. O lugar não importava. E, no ano seguinte, desejei ver o mar. Você realizou esses três desejos.
— Você disse que eram cinco.
— Em meu décimo - nono aniversário, desejei que alguém me achasse bonita. E esse pedido também foi atendido por você.
Zac afastou uma mecha de cabelos que havia caído no rosto de Vanessa.
— É incrível que ninguém tivesse lhe dito isso antes.
— O outro pedido que você realizou foi feito em meu vigésimo-primeiro aniversário. Eu queria saber como era fazer amor. Talvez não devesse ter colocado uma estrela inteira nessa velinha. Cada vez que fazemos amor é diferente.
— Para mim também, Vanessa. E quanto aos outros pedidos, os que não foram satisfeitos?
— Eram sonhos impossíveis. Eu queria ter um irmão e um pai.
O calor do momento transformou-se em gelo. Esses desejos também deveriam ter se tornado realidade. E a concretização dependia apenas dele. Algo que a deixaria infeliz, pelo fato de Greg ter se recusado a reconhecê-la como filha.
Vanessa estranhou o súbito silêncio de Zac. Dois dias antes teria continuado a conversa e lhe contado todos os seus desejos. Mas após as palavras de Demi, sua confiança em Zac já não era absoluta.
— Você se importa de me falar sobre a Knight Star Systems? — Vanessa indagou ao mesmo tempo que fechava a caixa.
A tensão no ambiente pareceu aumentar.
— O que quer saber?
— É verdade que o dono é Gregory Tisdale e que a empresa não faz parte da corporação?
— Sim. Não sei por que Gregory não á anexou ao grupo de empresas da família.
— E você pretende comprá-la ou assumi-la, não?
— Sim.
— Já o procurou para negociar?
— Ainda não.
Uma barreira invisível parecia ter sido erguida entre eles.
— Não entendo muito de negócios, mas quando alguém pretende encampar uma empresa, a hostilidade é o fator preponderante.
— Nem sempre, principalmente quando a empresa não está apresentando um bom desempenho. A base de tudo é a motivação financeira.
— E a Knight Star está operando com prejuízos ou com lucros?
— No momento, com prejuízos.
— Por acaso, você tem algo a ver com isso? - A hesitação de Zac fez Vanessa estremecer.
— O que lhe falaram a meu respeito? — Zac indagou. Vanessa já conhecia o marido o suficiente para adivinhar que ele não estava gostando da conversa. Nem ela. Gostaria que Zac lhe contasse o que estava acontecendo, sem que ela precisasse pressioná-lo.
— Minha melhor amiga casou-se com um Tisdale. E estou trabalhando na organização do casamento de Ashley Tisdale. Além de estar interessada na escalada profissional que esse evento poderá me trazer, fui recebida na casa dessas pessoas como alguém merecedora de sua amizade e de sua confiança. Não quero que você destrua o que construí. E não se atreva a dizer que não preciso trabalhar. Minha ética profissional é tão importante para mim quanto a sua é para você, mesmo que meus lucros sejam um grão de areia em comparação com sua praia.
— Vanessa...
Os olhos de Vanessa se encheram de lágrimas. Detestava discussões.
— Não me inclua nessa história, Zac. Eu teria de apoiá-lo porque lhe devo lealdade, mas a contragosto. Você já não tem o suficiente sem considerar a Knight Star Systems?
— Não.
Vanessa ainda não conhecia esse sentimento duro e impiedoso do marido.
— Estou implorando, Zac. Não faça isso. Eu perderei tudo que conquistei com meu trabalho.
— Eu não sou suficiente? — Assim que disse essas palavras, Zac se arrependeu. — Esqueça. Eu não estava preparado para essa conversa. Preciso pensar.
— Se não estivesse decidido a possuir essa empresa, você não teria se demitido de seu emprego e se mudado para cá.
— Tenho planos que você desconhece.
— Por que não me contou?
— Não houve tempo.
— É uma desculpa muito frágil. - Zac passou as mãos pelos cabelos.
— Você está certa. Devo-lhe uma explicação.
Zac reconhecia quando não havia saída para uma situação. Contaria a verdade a Vanessa. Mas omitiria a parte que a envolvia.
— Quais são seus planos com relação a Knight Star Systems, Zac? — Vanessa insistiu.
Ele cruzou os braços.
— A Knight Star é uma empresa de relativo sucesso. Quero expandi-la de forma que se torne a número um em programas de segurança.
— Você não poderia criar esses programas de segurança e tornar-se o número um por si mesmo?
— Claro que sim, mas quero aquela empresa para mim. Faz parte do pacote. — Ele esperou algum comentário de Vanessa, mas ela se manteve calada. — A água está esfriando. Ainda está interessada em tomar banho comigo?
— Acho que não.
Castigos devem ser dados de acordo com o crime, Vanessa, Zac pensou. O culpado não sou eu.
Zac afastou-se, aborrecido. O comportamento de Vanessa havia mudado por causa da intromissão de outras pessoas. Não era justo.
Vanessa ouviu quando Zac entrou no banho. Seu marido era um homem complicado. Amava-o. Mas, naquele momento, sua afeição por ele não era mais a mesma.
Não dormiria nua aquela noite, como Zac gostava. Vestiu rapidamente uma camisola e deitou-se antes que ele voltasse para o quarto e a fizesse mudar de ideia.
Tirou o relógio de pulso em seguida e quando abriu a gaveta do criado-mudo para guardá-lo, sua atenção foi atraída por um certo confeito em bastão. Seu coração bateu mais depressa. Verificou a embalagem. Havia uma data escrita na base. Correspondia à noite que jantaram comida tailandesa. Zac havia retirado a bala do lixo e guardado como lembrança.
Os olhos de Vanessa arderam por causa das lágrimas contidas. Ele não seria capaz de encampar aquela empresa e arruinar sua amizade com os Tisdale. Ele não a magoaria. Talvez não soubesse ainda, mas Zac a amava.
Devolveu o doce à gaveta e fechou-a. Colocou o relógio sobre o criado-mudo e tirou a camisola. Um minuto depois estava no banheiro.
Zac pareceu surpreso ao vê-la. Ela não tinha certeza. Sua visão estava turva. Atirou-se nos braços dele e adorou quando ele a enlaçou pela cintura e apoiou o rosto contra seus cabelos.
— Eu o amo — ela sussurrou.
— Vanessa...
— Apenas prometa que me contará se decidir levar adiante seu plano. Preciso estar preparada.
— Prometo.
Beijaram-se com paixão. Ela poderia ser uma tola, mas acreditava em Zac. Apaixonara-se por uma fantasia, mas aprendera a amar um homem real.

Boa tarde amores...
Concordo com o Zac.... O pai da Vanessa deveria ter assumido ela como filha!
E la se foi a primeira "briga" do casal...
E ai será que ela contará mesmo tudo a ela?
Cometem aqui...
Beijooos 😘
Até qlqr momento...

Um comentário:

  1. Aii o Zac podia contar tudo de uma vez e acabar logo com isso
    E já passou da hora dele perceber que ama a Vanessa
    Quero mais, xx

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