segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Capítulo 6

Vanessa apoiou a mão sobre o ombro de Zachary e olhou para a tela do monitor. Ele sentiu a pulsação se acelerar. Era um absurdo. Estava reagindo como um adolescente.
— O que é isso?
— Um e-mail de meu escritório.
— Você pode receber suas correspondências por meu computador? — Vanessa perguntou, estupefata.
— Eu a conectei ao mesmo provedor. — Ele olhou para ela por cima do próprio ombro. — Está precisando de alguma coisa?
Ela tocou-o no pescoço.
— Você está quente.
Sim. Ele estava pegando fogo.
— Quer que eu ligue o ar-condicionado?
— Não é preciso, Vanessa.
— Avise, se mudar de ideia. Quer comer ou beber algo? Austin já fez as entregas. Ele pode ir ao café para você. Infelizmente não tenho nada de bom para lhe oferecer.
Zachary sabia. A geladeira continha apenas uma jarra de chá, dois pêssegos, um pacote de leite e alguns potes de iogurte. Não conseguiu identificar o conteúdo de dois recipientes plásticos. Na prateleira inferior, havia uma caixa de bombons, de veludo vermelho e em formato de coração, pela metade.
Zachary consultou seu relógio de pulso.
— Não estou com fome ainda, mas poderíamos pedir, mais tarde, uma refeição. Você fecha a loja, nós jantamos, e depois poderemos ter nossa primeira aula.
— Está bem — ela concordou. — Se resolver pedir uma pizza, não gosto de cogumelos.
— Mais alguma recomendação? — ele perguntou e percebeu que Vanessa estava olhando com constrangimento para a caixa de charutos.
— Não — ela murmurou.
— Gosta de algum vinho em especial?
Negou com um movimento de cabeça. Em toda sua vida, não deveria ter tomado mais do que cinco copos.
Vanessa pegou a caixa, que nunca lhe parecera tão pesada. E se Zachary a tivesse visto e descoberto seus segredos? Como pudera tê-la deixado à vista? Como pudera se distrair tanto? Talvez por ter se acostumado a deixá-la na sala nos últimos meses, desde seu último aniversário, quando decidira parar de fazer pedidos. Ainda faltava cumprir a última parte de sua decisão. A de jogar a caixa no lixo. Continuava em busca de coragem para isso.
— Bem, preciso voltar para a loja.
Antes, porém, ela foi até o quarto e escondeu a caixa dentro de uma gaveta, sob a lingerie, se é que podia chamar assim suas calcinhas e sutiãs de algodão, mais práticos do que sensuais.
Vanessa acenou e desceu para a loja. Precisava se vigiar. Zachary jamais se interessaria por alguém como ela, sem sofisticação, sem nenhum conhecimento de informática.
Não misture negócios com prazer, ordenou-se. Acabará sem nada. E você precisa de seus sonhos e de suas fantasias para preencher o vazio de sua vida.
O problema era que não conseguia parar de pensar em Zachary. Ele havia se tornado uma obsessão para ela. Não entendia por que o escolhera. A maioria das pessoas sentia tal fascínio por artistas, e Zachary era um homem de negócios. Mas que homem! Um gênio com os olhos castanhos mais lindos que já vira,-e o mais fascinante sorriso. E desde o dia anterior, quando surgira em sua vida, ela não se sentia mais só.
Vanessa tomou meio copo de vinho Chardonnay de uma só vez na tentativa de apagar as chamas em sua boca.
Zachary havia pedido comida tailandesa. Os pratos eram deliciosos, com condimentos exóticos. Mas ela não deveria ter provado o molho. Era pura pimenta!
— Você disse que era forte, mas não pensei que fosse fogo líquido! — Vanessa protestou. Zachary limitou-se a sorrir, sem parar de comer. — Não entendo como você consegue engolir isso! Sua garganta deve estar cauterizada!
— O gosto pela comida tailandesa se adquire aos poucos — ele explicou.
Vanessa se levantou e apanhou uma bala de cereja, em forma de bastão, que havia ganhado de brinde em uma confeitaria. Já havia bebido dois copos de vinho, mas os móveis de sua sala ainda pareciam fora de foco.
— Está servido? — ela ofereceu. Zachary estava fechando as caixas de comida e agradeceu.
— Não, obrigado.
Ela se sentou no sofá e viu quando Zachary se levantou, levou os pratos para a pia e lavou-os. Algo que ela deveria estar fazendo, se não precisasse adoçar a boca com urgência, reclinar-se sobre as almofadas e fechar os olhos.
Um minuto depois, sentiu que Zachary se sentava ao lado dela.
— Algo me diz que você não está em condições de ter sua primeira aula sobre computação hoje.
— A culpa não é minha.
— Não imaginei que dois copos de vinho fossem nocauteá-la.
— Agora já sabe.
— Seus lábios estão vermelhos
Zachary não respondeu. Ela se inclinou e pousou os lábios sobre os dele o tempo suficiente para sentir seu calor e sua imobilidade. Afastou-se e baixou a cabeça.
— Desculpe. Não sei por que agi assim.
— Há alguém em sua vida que possa não gostar de minha presença aqui, Vanessa?
— Não.
Incapaz de continuar sentada ao lado dele, Vanessa foi até a cozinha.
— Você não tem namorado? — ele insistiu.
— Não.
— Então a caixa de bombons na geladeira...?
— Não significa nada. Estava em promoção no supermercado. E quanto a você? Devo esperar que alguma mulher me desafie para um duelo por tê-lo beijado?
— Não.
Ela chamava aquilo de beijo? Um toque que durara dois segundos no máximo? E que teria sido retribuído com ardor, caso ele não tivesse se obrigado a respeitá-la? Nunca se sentira tão responsável por alguém antes. Por outro lado, a atração física que sentia por Vanessa o surpreendia ao ponto de chocá-lo.
Ela voltou da cozinha.
— Está falando sério, Zachary? Não há nenhuma mulher em especial?
— A maioria das mulheres não gosta de aceitar o segundo lugar, e meu trabalho consome quase todo meu tempo e energia.
— Mas você se encontra com mulheres. Eu vi fotos. Aqui em Minneapolis, você esteve com Lilly Collins.
— Trabalho com computadores, mas não sou um robô. Saio com alguém de vez em quando. Como você deve fazer.
Vanessa dobrou as pernas e sentou-se sobre elas. Em seguida tornou a deitar a cabeça sobre uma almofada.
— Não saio com alguém desde que minha mãe morreu.
— Você me disse que ela faleceu no final do ano passado.
— De repente.
— Meu pai também se foi assim. Eu tinha oito anos apenas.
— Sinto muito. Ao menos eu pude viver com minha mãe até a idade adulta. Ela estava com quarenta anos quando eu nasci, mas sempre foi jovem e saudável. Nós usávamos o mesmo tipo de roupas.
— E seu pai? Você disse que ele se foi antes de você nascer.
— Não o conheci.
— Não tem outros parentes?
— Não. E você? Tem irmãos.
Ele negou com um movimento de cabeça.
— Acho que temos muito em comum.
— Você se sentia só quando criança?
Só não era a palavra ideal. Ele fora alvo de um escândalo, depois o levaram para a Califórnia, deram-lhe um novo pai e o proibiram de tocar no nome de seu verdadeiro pai.
— Demais.
— Minha mãe era fora de série. Tem sido difícil viver sem ela. — Vanessa pousou sua mão sobre a mão de Zachary. — Vamos parar de falar em tristeza? Acho que já estou pronta para minha primeira aula.
— Então vou ensiná-la a enviar um e-mail e a navegar um pouco pela Internet.
— Ninguém acreditará se eu disser — Vanessa afirmou um instante depois, quando se sentou diante do monitor. — Terei de tirar uma foto sua para provar que esteve aqui.
Ele puxou uma cadeira para perto dela.
— Pode convidar seus amigos, se desejar.
Vanessa rejeitou a ideia. Não queria dividir Zachary com ninguém. Não por enquanto, ao menos. Talvez nunca.
— Sabe datilografia?
— Sim. Fiz um curso de dois anos enquanto estava no colégio.
— Ótimo. O resto é fácil. Ele ligou o computador.
O sol se pôs, e a noite caiu. Ele ensinou. Ela aprendeu. O entusiasmo de Vanessa era contagiante. Ela vibrava cada vez que fazia uma descoberta. Apertava-lhe o braço.


Oiiiii aqui estou eu de volta 😀
Que capítulo hein!?
Vanessa foi rapidinha mas bem que o Zac podia ter correspondido ao selinho
que a Vanessa deu ne!?
Comentem ai o que vocês acharam...
Tenho novidades sobre a próxima fic...
Ja comecei a adaptá-la e estou pensando em postá-la intercalando com essa, ou seja, um dia posto um capítulo dessa fic
no dia seguinte, posto um capítulo da outra fic... O que acham?
Se não acho que não dará tempo de postar antes que minhas férias acabem...
Vo fazer de tudo pra nessa semana ja liberar a sinopse da fic ok!?
Bom entao até qlqr momento...
Beijooos 😘

Um comentário:

  1. Só acho que o Zac deveria lascarum beijaço na V hahaha
    Adorei essa ideia aí das fics,apoio
    Posta mais
    Xoxo

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