sábado, 7 de janeiro de 2017

Capítulo 9

Sem perceber, Vanessa estava olhando para o movimento daqueles lábios que tantas vezes beijara em sonho. — Você está ouvindo, Vanessa?
Ela voltou a si.
— Não temerei. Prometo que estarei sabendo todas as lições de cor quando você voltar. — Vanessa fez uma pausa. — Tem ideia de quando será?
— Ainda não. Dependerá do montante de trabalho que me espera na Califórnia e do desenvolvimento deste novo negócio aqui. — Zachary estendeu a mão. — Tchau.
Ela apertou a mão de Zachary e demorou a soltá-la.
— Sei que estou pedindo muito, mas poderia me dar um abraço? Nosso relacionamento é apenas profissional, mas sinto-me próxima de você esta noite. Acho que foi a conversa que tivemos sobre minha mãe e seu pai.
Zachary recebeu-a em seus braços. Vanessa abraçou-o pelas costas e apertou-o. Depois deitou a cabeça em seu pescoço.
Ele não se moveu, por mais que desejasse acariciá-la e beijá-la. Ouviu-a murmurar seu nome. A voz soou emocionada. Vanessa precisava dele tanto quanto ele necessitava dela. Mas havia muito em jogo. Aquele não era o momento para pensar em satisfação física.
Afastou-se e desceu a escada sem olhar para trás. Quando girou a maçaneta, ouviu a voz de Vanessa junto a ele.
— Obrigada por tudo.
Vanessa era surpreendente. Nunca conhecera alguém como ela: inocente, vulnerável, confiante. Virou-se lentamente. O rosto delicado estava iluminado por uma luz da rua. Ela sorria. Parecia uma figura etérea.
— Você é uma tentação — Zachary murmurou.
Fez-se silêncio. Vanessa ficou sem ação. Quando se recuperou, deu uma risada e apertou-lhe o braço. Deslizou o polegar sob o punho da camisa por um instante. Não entendia por que Zachary se obrigava a resistir à atração que certamente era mútua.
— Boa viagem.
Ele agradeceu e foi embora.
Vanessa ficou olhando pela janela até Zachary desaparecer de vista. Então subiu a escada aos pulos e fez uma pirueta quando chegou ao hall. Não conseguia parar de rir. Ela, uma tentação?
Encheu a banheira e mergulhou. Enquanto relaxava, a seriedade substituiu o humor. Por que Zachary dissera aquilo? E se ela era uma tentação, por que ele resistia?
Por ser um solitário? Por que desconfiava das pessoas?
Gostaria de observá-lo em ação, em seu ambiente de trabalho, para compará-lo com o homem que a procurara na floricultura. Queria observá-lo sob a superfície. Na verdade, tudo o que sabia a respeito de Zachary Efron fora o que lera em revistas e jornais.
Enxugou-se e vestiu uma camisola de algodão. Antes de deitar, resolveu ligar o computador. Talvez Zachary tivesse enviado uma mensagem.
Nada.
Zachary era sério e reservado. Não gostava de seus atrevimentos. Teria errado no modo de tratá-lo? Por outro lado, não estava disposta a ser passiva naquele relacionamento.
Respirou fundo e digitou:
"De VanessaH: Sentirei sua falta. Volte logo."
O pânico a invadiu no momento que pressionou a tecla que enviava a mensagem. Quase que instantaneamente ela soube que Zachary estava em sintonia.
"De ZacEfron: Viaje comigo."
Vanessa não podia acreditar no que estava escrito na tela. Seus dedos tremiam quando perguntou a razão do convite.
"De ZacEfron: Precisa conhecer meus pais para saber de que tipo de festa eles gostariam."
"De VanessaH: Tenho de trabalhar."
"De ZacEfron: A floricultura fica aberta de segunda a segunda?"
Vanessa olhou para o telefone. Preferia discutir o assunto em viva voz. Pensou em pedir que ele desligasse o computador, mas mudou de ideia. Zachary se comunicava melhor assim.
"De VanessaH: Eu trabalho mesmo quando a floricultura está fechada. Enfeito três igrejas aos domingos. Fecho às segundas, mas tenho de chegar à loja às oito todas as terças para receber a mercadoria."
"De ZacEfron: É tempo suficiente. Diga sim, e eu cancelarei meu voo amanhã. Pedirei que o avião da companhia venha nos buscar no domingo, depois que você terminar de enfeitar os altares. Prometo que estará de volta na terça-feira a tempo para receber suas flores."
A proposta era sedutora. Zachary estava lhe oferecendo uma aventura. Uma viagem para a Califórnia e a oportunidade de conhecer sua família. Isso significaria passar muitas horas com ele.
"De VanessaH: Ok."
Mal terminou de enviar a mensagem, Vanessa escondeu o rosto com as mãos. O que fizera? Não tinha roupas para viajar nem dinheiro para comprá-las.
"De ZacEfron: Genial. Mas não poderemos dizer a eles quem você é porque será uma festa surpresa."
"De VanessaH: Quem serei?"
"De ZacEfron: Minha namorada."
"De VanessaH: Sua mãe ficará horrorizada com sua escolha. Não sou sofisticada. Não pertenço a seu meio social."
Zachary tentou adivinhar a reação de sua mãe. Vanessa estava certa. Ele não costumava levar mulheres para sua casa e as poucas que apresentara aos pais eram do tipo oposto ao de Vanessa.
"De ZacEfron: Não moro com meus pais, mas como o tempo é pouco, ficaremos hospedados na residência deles. Não dormiremos juntos, é claro. E não deixaremos escapar nada sobre a festa."
"De VanessaH: Se você acha que eles acreditarão, estou disposta a desempenhar o papel."
"De ZacEfron: Então está combinado. Passarei pela loja amanhã para conversarmos sobre os detalhes. Não se preocupe. Dará tudo certo."
Zachary permaneceu diante do monitor por vários minutos, caso Vanessa tivesse mais alguma pergunta a fazer. Podia imaginá-la diante do armário, tentando decidir o que levar. Teria muito prazer em levá-la a um shopping e lhe comprar roupas novas, mas temia lhe ferir a sensibilidade.
Precisava se organizar. Havia muito a ser feito: cancelar o voo do dia seguinte, agendar um voo no domingo no avião da companhia e avisar os pais que estaria se hospedando na casa deles com uma acompanhante. Os dois primeiros procedimentos poderiam ser realizados pelo computador. O último dependeria de um telefone.
Ele consultou seu relógio de pulso. Eram vinte e uma horas na Califórnia.
— Boa noite, Alfred — Zachary cumprimentou o mordomo. — Minha mãe está?
— Sim, Sr. Efron. Um momento, por favor.
— Olá, querido. Que surpresa! — exclamou Starla Efron. — Já está em casa?
Vanessa olhou para as três mulheres que estavam na loja admirando os arranjos mas que não pareciam dispostas a comprar nada. Estava exausta. Ficara acordada até duas horas, tentando decidir quais as roupas que levaria na viagem. Se conseguisse ir até o shopping, após o expediente, compraria um par de sandálias e um blazer leve e de cor neutra.
— Que encanto! — exclamou uma das mulheres diante de um cesto de vime que Vanessa decorara com rosas e folhagens desidratadas. Era sua última criação. No mês anterior, vendera vinte daqueles, um sempre ligeiramente diferente do anterior.
Zachary ganhara um daqueles arranjos no baile. Encontrara-a por intermédio dele.
A mulher colocou o cesto sobre o balcão.
— Vou levar. Gostaria de encomendar mais três, sendo dois com rosas amarelas, se possível.
— Para quando? No momento, tenho apenas rosas cor-de-rosa em estoque.
— Para o próximo fim de semana.
— Sem problemas. Estarão prontos na sexta-feira pela manhã. Quer que eu os faça exatamente iguais ou posso usar minha criatividade?
— Oh, não imaginei que você mesma os fizesse. Sim, gostaria que fossem personalizados.
Vanessa anotou o pedido e embrulhou o cesto. Assim que as três mulheres saíram, Demi Lovato Tisdale entrou com sua filhinha Júlia de cinco meses, nos braços.
— Como vai essa mocinha linda? — Vanessa pegou a adorável criança. — E você, De? Como vai a vida de casada? Parece estar adorando-a.
— Adorar é pouco, Vanessa. Você precisa experimentar. - Vanessa se alegrava com a felicidade da amiga. O casamento realmente lhe fizera bem. As duas se conheciam desde crianças. Foram vizinhas.
— É o que pretendo fazer algum dia — Vanessa respondeu. — Será maravilhoso ter alguns tesouros como Júlia.
Demi colocou a sacola com as fraldas e mamadeiras de Júlia sobre o balcão.
— Como tem passado? Faz tempo que não telefona para mim. Nunca aceita meus convites para jantar. Ando preocupada com você.
— Estou bem. Melhoro a cada dia. O movimento na loja tem aumentado tanto que estou pensando em contratar um ajudante.
— Você conheceu um homem.
A observação deixou Vanessa muda.
— Claro que sim — disse Demi. — Em primeiro lugar, está pensando em contratar um ajudante. Isso significa que está querendo um tempo para você mesma. Em segundo lugar, seus olhos estão brilhantes.
Vanessa sentiu que corava. Gostaria de se abrir com a amiga, mas ainda era cedo demais para falar sobre Zachary. Demi contaria a Alexander, e ele poderia mencionar o fato a seus familiares.
Demi estalou os dedos.
— Acorde! Céus, o homem deve ser fascinante!
Júlia apertou os lábios de Vanessa, impedindo-a de falar, e salvando-a sem saber.
— Como ele se chama? — Demi insistiu. — Como ele é?
— Calma. Nada de bancar minha irmã mais velha. Afinal, temos quase a mesma idade. Não posso apresentá-lo a você. Ele poderia pensar que estou com ideias muito sérias e se assustar. Se der certo, prometo que será a primeira a saber.
— Poderia ser um segredo entre nós — Demi sugeriu, mas foi interrompida pela chegada de um casal. Vanessa cumprimentou-os. Eram clientes assíduos. Compravam um buque todas as semanas. — Vim convidá-la para jantar conosco amanhã. Ashley, minha cunhada, também irá com o noivo.
— Não os vi nas últimas duas semanas. Seria bom revê-los, mas tenho um compromisso.
— Com o homem misterioso?
— Sim.
A porta foi aberta naquele momento.
— Um dia maravilhoso para você! — exclamou Yarg.
Vanessa não se moveu. Não sabia se Demi e Zachary se conheciam. Esperava que não. Demi não havia participado do baile beneficente.
Quando teve certeza de que eles não haviam se encontrado antes, olhou com firmeza para Zachary.
— Só um instante, senhor. Já irei atendê-lo.
Zachary olhou imediatamente para a jovem morena com um bebê no colo.
— Não tenho pressa — declarou e se pôs a admirar os arranjos espalhados pela loja.
— Bem, está na hora de voltarmos para o papai — Demi murmurou ao mesmo tempo que apanhava a sacola que deixara sobre o balcão. Em seguida, baixou o tom de voz. — Não esqueça de telefonar para mim. Quero saber tudo. Caso contrário, contarei a Alexander o que descobri e pedirei que ele faça averiguações. Você sabe como Alexander é bom nisso.
Alexander Tisdale?, Zachary cogitou. Alexander era o filho mais velho do irmão de Greg, Mike.
Assim que a mulher com o bebê foi embora, Vanessa se encaminhou para ele com um sorriso nos lábios.
— Ainda bem que você entendeu.
— Ela é sua amiga?
— É Demi Tisdale. Crescemos juntas. Tive medo de que vocês já se conhecessem.
— Medo? — Zachary estranhou.
— Ainda não estou pronta para apresentá-lo a meus amigos.
Vanessa era autêntica. Estava sempre surpreendendo-o. Gostava de seu jeito. Não entendia, porém, por que ela queria mantê-lo em segredo.
— Acho que tornei-me independente demais após a morte de minha mãe. Sei que meus amigos querem o melhor para mim, mas não estou disposta a ouvir conselhos. Quero decidir sozinha sobre minha vida.
— Você me disse que sempre ouve conselhos — Zachary retrucou.
— Os seus se referiam a negócios.
— Acha que seus amigos tentariam dissuadi-la de fazer essa viagem comigo?
Vanessa pestanejou, maliciosa.
— Talvez eles digam que não é prudente viajar com um homem sexy e atraente que conheci há apenas três dias. Esse homem, de acordo com os tabloides, coleciona mulheres. E visto sempre com loiras deslumbrantes, ruivas exóticas e...
— Morenas lindas?
— Não sou bonita — Vanessa murmurou.
— O entendido no assunto não sou eu?
— Você está tentando ser amável.
Zachary estava acostumado a adjetivos como sério, distante, solitário, não a sexy, atraente, amável. Aquilo o perturbou.
— Não estou sendo amável, Vanessa.
Ela suspirou.
— Não importa. Estamos tratando apenas de negócios, certo?
Zachary fez um movimento afirmativo com a cabeça.
— A que horas poderei vir buscá-la amanhã?
— Estarei pronta às seis e trinta, se quiser.
— Seis e trinta da manhã?
— Sim.
— Nesse caso, precisará se deitar cedo hoje.
— Acha que conseguirei dormir? Nunca viajei de avião. Estarei excitada demais para sentir sono. Além disso, preciso fazer algumas compras.
— Importa-se se eu a acompanhar?
— Desde que não tente pagar minhas contas.
— Nem sequer o jantar?
— Está bem, mas só o jantar.
— Não precisa se preocupar em impressionar meus pais.
— Só você? — ela provocou.
Como não soube o que responder, Zachary tirou um disquete do bolso.
— Trouxe mais um programa para instalar em seu computador.
— Acha que já não tenho o bastante para praticar?
— Este calculará seus impostos.
— Está falando sério? Quando poderá instalá-lo?
— Agora.
— Agora?
— Algum problema, Vanessa?
— Não, desde que não repare na desordem do apartamento.


Olha eu aqui de voltaaaa 👋
Vanessa vai viajar com o Zac??? 😱
Quero so ver no que isso vai dar...
Espero que role uma aproximação assim nem que de leve tipo um beijo nao!?
Comentem bastante, nao deixem de conferir o primeiro capítulo de Orgulho e Lealdade (o link está no capítulo anterior)
Pois amanhã é dia de capítulo novo lá...
Então beijoooos 😘
Por aqui até segunda!!

3 comentários:

  1. Uhuuuuuuuuuuuu viagem de Zanessa
    Já amei *-*
    Quero o próximo capítulo logo hein
    Posta mais
    Xoxo

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  2. Amei o jeito da Vanessa!Ansiosa pra ver o que vai acontecer nessa viagem !!!

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  3. Amei o jeito da Vanessa!Ansiosa pra ver o que vai acontecer nessa viagem !!!

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